sexta-feira, 12 de setembro de 2014

30

Antes as veias eram mais largas.
O corpo mais solto.
A testa mais beijada.

Hoje damos graças
Se o soco não leva ao desmaio.

Linus

Caralho, como começar a se amar
assim de uma hora pra outra?
Onde se enfiam décadas de auto-depreciação
talhadas com esmero,
polidas ao ponto de não enxergarmos mais sua superfície,
invisível ao olho não treinado?
Falta desapego para desintegrar a obra.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

E foi...

Depois de tanta hesitação
simplesmente
abriu a porta,
respirou fundo
e seguiu
sem olhar para trás.

Encontrara afinal.
Não a certeza,
tampouco a verdade.

Somente a leveza nos passos era necessária
para o caminhar confortável.
Todo o resto,
bagagem que afunda o bípede.
Percebeu.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Árvore raiz
Desenho tati oposto
Raiz fundamental
De que adianta ser só raiz
Legumes
Intervenção externa
Morte certa
Captação de nutrientes
Sustentação
Armadilha
Confinamento
Não somos árvores de fato
Presente prana

Pretty please

Place me somewhere nicer.
Where people understand each other.
And smiles are welcome,
but not mandatory.

Let me show my pain.
Bring darkness to the table.
Will you run away?

I hurt.
I feel.
I wish
I knew
why.

Do feelings come to soothe us,
or finish the decapitation?
The emptiness overflows.

domingo, 17 de agosto de 2014

Orbiting

Finding your own axis to twirl
is much easier with weaker gravitational pools
dragging you around.

But the signs of long exposure to zero gravity were evident.
Returning to the atmosphere was a necessity.

Now the real journey begins.
Amidst all the known chaos,
the first frontier awaits.

The big right toe touches the ground.
A shockwave of static electricity
bolts the eyes wide open.
Landing has finally begun.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Segue

Carrega consigo as marcas de tantas batalhas.
Cicatrizes de guerra,
feridas ainda abertas.
Ainda assim, o guerreiro se mantém de pé.

A lógica não explica.
O coração insaciável persiste.
Insiste.
Seus objetivos são maiores.

A alma nobre e o caminhar firme
Curam o mais profundo dos cortes.
Mesmo que o caos reine,
ele segue em paz.

Ao estranho familiar

A visão atada ao presente
não percebe tuas feições exatas.
Dois olhos fechado,
com o terceiro à conexão wireless.

Sorte, destino, chance ou o caos.
Forças misteriosas nos aproximam neste breve momento.

Mesmo que nossas trajetórias
jamais venham a se cruzar novamente.
Saiba.
Fazes parte de mim.
Jai guru dev.

domingo, 1 de junho de 2014

Take time

I know you're afraid of taking that deep dark look into your soul.
You're going to see things that just might push you off the edge.
But it's suicide either way.

The only difference is that the path you're currently travelling
has only one unavoidable bad ending,
even if far away.
The other will hurt like hell right away,
and few bear to survive the pain.

I have no reason to stay.
That's why I run so much.
Hoping something I already have,
or is at least within plausible reach
could give meaning.

Work doesn't.
Friends don't.
Writing doesn't.
Self improvement doesn't.
Leisure doesn't.
Money doesn't.
A lover shouldn't
(It's too heavy a burden, he'll walk away in no time).

I don't know what else to try...

The life I was offered,
the one where happiness was promised,
is a lie.

I can only assure such statement
after decades of frantically running.
I achieved all goals, ticked all boxes.
Behaved like a good boy.
Even briefly tasted bliss
only to have it taken away.

What's the point of working so hard for so long
if thaere's a huge chance it won't last forever?

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Dorsal

Traz o vórtice do movimento ao centro.
As extremidades nada fazem
senão uma dança tempestuosa.
A energia vaza pelas pontas.

Fluido

Vazando fluido pelas palmas.
Deixo imagens radiográficas sobre a mesa fria.
Xilogravando por irradiação de calor.

Os batimentos sincronizam o corpo.
Inteiro afinal!
Sacolejar tão sutil quanto um diapasão
ao ritmo da melodia interna.

Now playing...
Timbalada.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Registros

Chateando o passado,
percebo a estática do tempo.
A tragédia há anos anunciada
ainda rende desdobramentos
igualmente mais maduros e doloridos.

Ao invés de afundar joelhos na terra,
um sorriso me trai a face.
Estragando o clima de desolação
tão laborosamente talhado.

Será sádica a reação de quem se alegra
ao ver a própria carcaça
perdida vagando pelas eras?
Ou a insanidade que finalmente se instala
no corpo assombrado?

Paro e observo.
Um instinto maternal brotando
em solo antes infértil.

Abraço a crianças que chora
copiosamente no escuro.
Em silêncio para não ser descoberta.
O desejo pela morte é prematuro.
Perdoa pois não sabe o que pensas.

Todo afago,
mesmo os metafísicos-metafóricos
atravessam bidirecionalmente.

Compreendo o lapso bucal.
Dou espaço ao infante,
agora sonolento,
em meu leito.

A solidão se esvai.
Vou dormir
um pouco menos pesaroso
com o amanhã.

sábado, 24 de maio de 2014

I accept

This frail body.This simple mind.
The character flaws.

The greed.
The vanity.
And all the other sins.

I won't deny sunshine
to any shameful part.
Because as of today

I retired the whipping post.
The wounds will get to heal
eventually.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

(Don't) Disappear

Reject every imperfection.
Scratch them away
until there's nothing left.
Obliteration.

Joy isn't the sense of plentifullness,
the lack of empty spaces.
But bearing being naked.
Incomplete.

Closer

I still need
a smidge of fake hope
to get by the day.

Slow progress has been made
in forging the real thing.
But I get closer
every single day.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Desprende

Solta.
A força de atrito contra a corda
queima a pela na descida brusca.

Larga.
O medo-bigorna fará da queda livre
coiote-panqueca.

Flutua.
Com as mãos livre de obrigação e bagagem,
abre os braços
e se entrega à correnteza.

domingo, 18 de maio de 2014

Paz

As feridas latejam, mas o sangue que corre abaixo
já não está mais impregnado de cólera.
Metabólitos inativos indicam sua presença anterior.
O silência no cenário pós-combate.

Desacelera

O gozo prende.
A voz engasga.
O pé emperra.
A mente pifa.

Dirige com a primeira
até chegar em casa.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

En/stranha

Um polvo dentro da minha barriga.
Antes fosse produto de simples deglutição.
Internamente externo.
Entre serosas e não mucosas.
Comprimido entre estômago e diafragma.

A curiosidade da procedência é alternada pelo embaraço.
Como tal criatura passou despercebida por tanto tempo?

Em retrospecto as pulsações já eram indícios antigos.
Ouvia de tudo, menos os gritos internos.
A consequência de correr de si uma hora nos alcança.

Agora não há outra solução
senão analisar o espécime.
Convido-o educadamente a sair.
Qual minha surpresa quando a mão estendida
encontra tentáculos receptivos!

Em ar ambiente percebo algo de errado.
Apesar da falta de expertise em zoologia,
noto algo que poderia ser chamado de prostração.
Avalio a cavidade que vem fazendo de residência.
Pus, muco, inflamação e tinta.

Estaria o cefalópode fazendo mal a mim
Ou eu a ele?
Elucubrações à parte, medidas precisavam ser tomadas.
Lavagem, limpeza, assepsia de ambos.

Sobreviveremos afinal.
As pulsações se acalmam,
a prostração diminui.

A última etapa... Destino final?
Aquário, praia, alto mar...
Pergunto-me debruçado ao futuro viajante.
Suas projeções tentam alcançar o espaço virtual que habitava.
Como quem suplica pelo habitat natural.

Seria este ser produto de uma gestação estapafúrdia em andamento?
Ou ainda parte integrante da minha pessoa?
Variação anatômica?
Faltam respostas sobram perguntas.

De toda forma já estava acostumado a servir de moradia.
Mesmo que não consciente de sua presença.
Acolho com a condição de observar atentamente.
Na presença de indícios de depredação de propriedade
a expulsão será mandatória.

Um tentáculo à testa sugere concordância com os termos de consentimento.
O inquilino retorna, satisfeito.
O senhorio, perplexo,
sorri.