Chateando o passado,
percebo a estática do tempo.
A tragédia há anos anunciada
ainda rende desdobramentos
igualmente mais maduros e doloridos.
Ao invés de afundar joelhos na terra,
um sorriso me trai a face.
Estragando o clima de desolação
tão laborosamente talhado.
Será sádica a reação de quem se alegra
ao ver a própria carcaça
perdida vagando pelas eras?
Ou a insanidade que finalmente se instala
no corpo assombrado?
Paro e observo.
Um instinto maternal brotando
em solo antes infértil.
Abraço a crianças que chora
copiosamente no escuro.
Em silêncio para não ser descoberta.
O desejo pela morte é prematuro.
Perdoa pois não sabe o que pensas.
Todo afago,
mesmo os metafísicos-metafóricos
atravessam bidirecionalmente.
Compreendo o lapso bucal.
Dou espaço ao infante,
agora sonolento,
em meu leito.
A solidão se esvai.
Vou dormir
um pouco menos pesaroso
com o amanhã.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário