Com o início do processo de escavação
e a retirada das camadas muito superficiais de limo e lodo
começam a ser perceptíveis as etapas seguintes
após o alívio imediato da respiração pelos poros.
Talvez tenham ocorrido pelo excesso de movimentações
por não mais estar coberto de matéria escorregadia e asquerosa.
Ou a redescoberta de elementos até então tidos como de origem externa.
O que importa são os fatos atualmente apresentados.
A pulsação convulsivante. Copiosa.
Ainda perto demais para termos atingido petróleo.
Pré-salgado. Ouro dos tolos.
O desejo salta para a ganância, que despenca com a noção.
A mais crua percepção
do quão insustentável é
sua forma tão concreta de amar.
Se é que podemos chamar
peso tão denso
de outra coisa
senão fardo.
Lama tóxica.
Rejeito de barragem.
Desastre ambiental.
O mais sensato seria
interromper toda e qualquer atividade
por tempo indeterminado.
Não fosse e informação
de que há vida abaixo do concreto.
Esquecida, subjugada,
porém ainda viva.
Não resta outra alternativa
a não ser aumentar o perímetro de evacuação
e seguir com cautela.
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