segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Cercado

Senso sensível.
No corpo que grita,
nas entranhas que giram,
na cabeça que flutua.
Nebline.

Olhar marejado,
Miragem.
Tímpanos estourados.
Estática
Carne nas ventas,
Apnéia.
Cama de espinhos,
Flagelo.
Orgasmos compensatórios.
Papilas.

A câmara molhada centra a mente,
mas engorda o novilho.
Abate.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Os inocentes

Ondem andam os inocentes?
Com quem circulam os imaculados?
O que fazem os incorruptíveis?

Descansam em paz.

Redo

Left kidney
squished by the pressure
of a crooked spine.

Strengthen the muscles
so the seesaw sees balance.

A life governed
from the top of a throne,
a head as a ballon.

Loosen your crown,
Even better, lose it for good!

Too much compression
will lead to ulcers.

Be careful.
If it bleeds, you'll burst.

sábado, 20 de setembro de 2014

Tudo que temos

Os socos contundem o corpo.
As palavras marcam a alma.
Danos evidentes com opressores claros.
O contra ataque, mesmo que ineficaz,
será sempre possível.

Como se defender da ausência?
Sem bochecha para esbofetear,
ouvidos para obscenidades,
saco para chutar.

Aceitação.
Temos que nos permitir.
Amar, sofrer, seguir.

Troque a auto-análise
pelo auto-cuidado.

Isto aliado ao tempo...
É tudo que temos...
Pode ser pouco...
Mas é tudo que temos.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Pave

Put the thoughts scattered around,
In a nice compact folder.
Use the extra drive space
And roadtrip through the day.
Focused, but carefree.

Until the joy comes back home.
The breaths fill up and synchronise.
Your fingertips start healing again.
Keep truckin'!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Rings

Ring,
outside a ring,
outside a ring.

Treetrunk,
fingerprint,
rippling.

Counting time,
gripping tight,
chaos crime.

Telephone,
matrimony,
hedgehog.

Crank call,
kids and dog,
extra life!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Poeira

Partículas suspensa no ar.
Contra o Sol, dançam ignorando a gravidade.
Quem balança o planeta
para que elas não caiam?

Souvenir esférico
levemente defeituoso nas pontas
(ou anatomicamente adaptado
para enfeitar superfícies planas,
dependendo da lábia do vendedor!).
Levante a cabeça, sorria e acene para os turistas!

Não sentimos o chacoalhar,
Ou talvez paramos de notar.
O manuseio incessante e...
PELAMORDEDEUS tira da mão dessa criança!!!
*Crash*

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Silvestre

Padrões só aparecem
se pararmos de observar.
Como a armadilha que captura
na ausência de expectadores.

Não sei como sentir.

Usar os olhos não vai ajudar.
O desespero cega os sentidos externos.

Nunca sequer almocei com os internos.
Falariam a verdade a um verdadeiro desconhecido?

Recorro aos céus, ao vizinho, ao silêncio.
Nada além do ar que me cerca.

Resta viver.

Na falta de parâmetros,
não há outra alternativa
senão ser eternamente feliz!

Seca

Resseca o seco até cair.
Se ainda há água, deixa estar.
Trabalha a terra.
Descansa a clorofila.

sábado, 13 de setembro de 2014

Conselhos

Puxa do fundo
que a angústia aplaca.

Fecha os olhos
antes de mergulhar.

Leva a mão ao cocuruto
e lembra do afago de mãe.

Canta.

Chemical pinkpuff

Cursed canvas.
Won't make a print with just ink or grafitti.
Might as well leave it blank.

Blood will leave a mark,
never goes unnoticed.
Careful, though.
Lively stains might scare away
instead of bringing closure.
Not to mention a very pale artist.

Grab your labcoat
and protective goggles.
Burn your bunsen
or let forever be
haunted by the maddening white.

Freeflowing

Waves of words in a less labored pattern.
Rid of worry, never careless.
Float as droplets of rain without gravity.
Dance around and discover soaking patterns.

Sentidos

Catando cantos contando quartzos.
A luz reflete refúgios sem rafia.
Crime seria criar crivos.
Tapar toupeiras estouram os tímpanos.

Saideira

Quatro tomates verdes fritos atravessavam a rua.
Olha o caminhão! Pffflll
Que caminhão? Pffflll
Ãhn? Caminhão? Pffflll
O último, menos retardado, subiu a passarela.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Pés descalços

Quatro vasos de azaléias.
Arrebenta as cerâmicas
e faz do chão da varanda jardim.

Aflow

Drunk texting myself
high on sleep deprivation.
No guts to say sober
self pity'll never be a turn on.

Slide over the bluegrass.
Eat some smurf dirt.
Better to puke rainbows
than to waltz with a depressed violin.

30

Antes as veias eram mais largas.
O corpo mais solto.
A testa mais beijada.

Hoje damos graças
Se o soco não leva ao desmaio.

Linus

Caralho, como começar a se amar
assim de uma hora pra outra?
Onde se enfiam décadas de auto-depreciação
talhadas com esmero,
polidas ao ponto de não enxergarmos mais sua superfície,
invisível ao olho não treinado?
Falta desapego para desintegrar a obra.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

E foi...

Depois de tanta hesitação
simplesmente
abriu a porta,
respirou fundo
e seguiu
sem olhar para trás.

Encontrara afinal.
Não a certeza,
tampouco a verdade.

Somente a leveza nos passos era necessária
para o caminhar confortável.
Todo o resto,
bagagem que afunda o bípede.
Percebeu.